EDUCAÇÃO CIENTÍFICA,
PRA QUE VÓS QUERO NESTAS ILHAS
FILHAS DA POROROCA?
Não há dúvida de que tesos [sítios arqueológicos] da ilha do Marajó
Da mea avó
Foram aldeias nascidas do seio d'água: delas se formaram Cacicados...
Convém saber que a primeira sociedade organizada da Amazônia
Foi a nossa velha desconhecida Cultura Marajoara:
Mil e tantos anos nos contemplam pra além dos Contemplados!
Marajoaras de hoje devem decidir afinal
Se vale a pena remar contra maré e dar murro em ponta de faca
Conformar-se calado com o eterno saque do Patrimônio antigo
Dar por extinta e acabada a originalidade do homem marajoara
Entre chuvas e esquecimento
E pronto!
Ou muito pelo contrário...
Encarar o desafio da literatura antropoética da Criaturada grande
Do “índio sutil” de Jorge Amado da Bahia
Dalcídio Jurandir do Grão Pará: ruína da belle époque da Borracha
Que não passa borracha sobre servidão da Criaturada, por nada...
Aos baixos fundos das Ilhas, Baixo Amazonas e subúrbios de Belém
Seguir a trilha estúrdia das pegadas de Alfredo sem medo da lama
Na passagem dos inocentes, Ponte do Galo e o indecente chão dos Lobos
Ir e vir de bubuia na maré entre a Ilha grande e a Cidade idem
Vasto mundo dos Habitantes do fim do mundo
Ribanceira à margem da história...
Fazer casa na terceira margem do Rio e do Mar-Oceano, sumano.
Ver o peso do caroço de tucumã na palma da mão como bússola
A buscar escola boa numa primeira manhã
Depois do dilúvio nos campos de Cachoeira
Vestígios míticos da Primeira Noite do Mundo
No fundo do rio Arari
Metáfora do trabalho desumano debaixo de sol no Lavrado
Pra nada, esta gente!...
Haja, antão, a sustentar o museu do padre rebelde Giovanni Gallo
Farol em meio à noite escura
Navegação pré-histórica do Amazonas até às últimas consequências.
Não deixar enrolar a bandeira sebastianista do Povo Marajoara
Glorioso São Sebastião da Cachoeira, seu bordão bordado de mitos
D'além mar e da Terra em mal ao pôr do sol no Araquiçaua.
Ou morrer de vergonha.